Guia definitivo sobre Riscos Psicossociais no Trabalho em 2026 

Sua empresa está pronta para lidar com os riscos psicossociais? Entenda o que muda com a NR-1 e prepare-se para 2025.
riscos psicossociais no trabalho

Nos últimos anos, a gestão de saúde e segurança do trabalho vem passando por uma mudança importante. A partir da atualização da NR-1, por meio da Portaria MTE nº 1.419/2024, os riscos psicossociais no trabalho integram, de forma obrigatória, o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), com exigibilidade a partir de 26 de maio de 2025. Mas o que isso significa na prática? 

Significa que temas que antes apareciam de forma generalizada, como estresse, sobrecarga, conflitos, assédio e esgotamento mental; agora precisam ser tratados com o mesmo cuidado técnico aplicado aos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos. 

Nosso propósito neste artigo é trazer, de forma clara e aplicável, o que são os riscos psicossociais no trabalho, como impactam a rotina das empresas e como podem ser gerenciados dentro do PGR, do PCMSO e das ações de compliance. Ao longo do texto, também mostramos como campanhas internas bem estruturadas (como as desenvolvidas pela Weex) ajudam a transformar exigência legal em prática cotidiana. 

Vamos lá? 

O que são riscos psicossociais? 

Antes de mais nada, os riscos psicossociais no trabalho estão relacionados à forma como o trabalho é organizado, gerido e vivenciado no dia a dia. Os riscos envolvem fatores como ritmo de trabalho, pressão por resultados, relações interpessoais, estilo de liderança, autonomia, clareza de papéis e equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 

Ainda, segundo a Fundacentro (2023), esses riscos surgem quando há um desequilíbrio entre as exigências do trabalho e a capacidade de resposta do trabalhador, especialmente quando faltam apoio, recursos e previsibilidade. Observe que, diferentemente de outros riscos ocupacionais, os psicossociais não dependem de um agente físico específico, mas da interação contínua entre pessoas, processos e ambiente organizacional. 

Junto a isso, o Guia do MTE (2025) faz um esclarecimento importante: identificar e avaliar fatores psicossociais não significa avaliar a saúde mental individual. O foco está nas condições e na organização do trabalho, permitindo que a empresa atue preventivamente, antes que o adoecimento aconteça. 

De forma alinhada, a Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2022) define os riscos psicossociais como resultado da interação entre o trabalho, sua organização e o contexto social, com impacto direto na saúde, no desempenho e no bem-estar. 

Principais consequências desses riscos 

Infográfico sobre como surgem os riscos psicossociais.

Como estamos falando de riscos, é claro que as consequências existem, certo? Quando os riscos psicossociais no trabalho não são gerenciados, os impactos aparecem tanto para as pessoas quanto para a organização. 

A exposição prolongada a fatores como sobrecarga, conflitos e falta de apoio está associada ao aumento de transtornos mentais relacionados ao trabalho, incluindo ansiedade, depressão, burnout e outros agravos psicossomáticos. 

Esses riscos se refletem em maior absenteísmo, presenteísmo, rotatividade e queda de produtividade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o presenteísmo (quando o trabalhador está presente, mas sem condições plenas de desempenho) pode gerar perdas de produtividade superiores a 30%, muitas vezes maiores do que as causadas por afastamentos formais. 

Além disso, ambientes psicossocialmente adoecedores tendem a gerar mais conflitos, denúncias, ações trabalhistas e impactos negativos em avaliações de clima organizacional e critérios ESG

Quais são os 9 riscos psicossociais? 

Falando de forma prática, os riscos psicossociais no trabalho podem ser organizados em nove grandes grupos: 

  1. Excesso de carga de trabalho e pressão por tempo; 
  1. Baixo nível de autonomia e controle sobre as atividades; 
  1. Falta de clareza ou conflito de papéis; 
  1. Insegurança em relação ao emprego ou à carreira; 
  1. Relações interpessoais conflituosas ou isolamento; 
  1. Assédio moral, sexual ou outras formas de violência; 
  1. Falta de suporte da liderança e da organização; 
  1. Desequilíbrio entre vida profissional e pessoal; 
  1. Reconhecimento e recompensas percebidos como insuficientes. 

Esses fatores costumam atuar de forma combinada, reforçando o desgaste mental e emocional no cotidiano de trabalho. 

Como evitar os riscos psicossociais 

Esse é um dos pontos mais importantes quando falamos sobre o tema. Evitar os riscos psicossociais no trabalho exige olhar para a organização do trabalho, e não apenas para o comportamento individual. 

Em estudo publicado em 2025, o MTE orienta que as ações preventivas devem priorizar ajustes em processos, jornadas, metas, fluxos de trabalho, comunicação e práticas de liderança, em consonância com a NR-1 e a NR-17. Treinamentos e ações educativas são importantes, mas funcionam melhor quando fazem parte de uma estratégia mais ampla. 

Nesse contexto, campanhas internas contínuas ajudam a manter o tema vivo no dia a dia, estimulando reflexão, diálogo e engajamento. Plataformas digitais, como a Weex, permitem levar esse conteúdo de forma acessível, organizada e recorrente, apoiando a construção de uma cultura mais saudável. 

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Quais são os riscos psicossociais da NR 1? 

Embora norteie o processo, a NR-1 não apresenta uma lista fechada de riscos psicossociais. Ainda assim, a identificação deve considerar fatores ligados à gestão organizacional, ao contexto do trabalho, às relações sociais, ao conteúdo das tarefas, às jornadas extensas, ao trabalho em turnos, ao assédio e à violência. 

Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), atualizada pelo Ministério da Saúde (2023), reforça essa abordagem ao relacionar transtornos mentais e comportamentais a fatores presentes na organização do trabalho. 

Como colocar riscos psicossociais no PGR? 

Infográfico com o passo a passo dos riscos psicossociais no PGR.

Na prática, incluir os riscos psicossociais no PGR segue a mesma lógica aplicada aos demais riscos ocupacionais. 

O primeiro passo é identificar os perigos psicossociais existentes na organização do trabalho, considerando processos, jornadas, relações interpessoais e ambiente. Em seguida, esses perigos devem ser avaliados quanto à probabilidade e à gravidade dos possíveis agravos. 

A responsabilidade pelo GRO e pelo PGR é da organização, cabendo à empresa definir responsáveis e garantir competência técnica para conduzir o processo. 

As medidas de controle devem priorizar ações coletivas e organizacionais, com participação da CIPA, do SESMT e dos trabalhadores, garantindo maior aderência e efetividade. 

Como funciona a fiscalização dos riscos psicossociais 

Fiscalizar é uma das missões mais importantes aqui. Essa fiscalização pode ocorrer tanto pela Inspeção do Trabalho quanto pela Vigilância em Saúde do Trabalhador. 

Além da análise do PGR, podem ser observados indicadores indiretos, como afastamentos por transtornos mentais, registros de denúncias, dados do PCMSO e histórico de conflitos ou assédio. 

Isso reforça a importância de uma gestão consistente e documentada, evitando abordagens superficiais ou apenas formais. 

Principais fatores de riscos psicossociais no trabalho 

Como mencionamos antes, existe uma série de fatores. Porém, entre os fatores mais comuns estão: metas incompatíveis com a realidade operacional, falhas de comunicação, lideranças despreparadas, jornadas excessivas, ausência de políticas claras de prevenção ao assédio e baixa previsibilidade organizacional. 

Esses fatores refletem escolhas de gestão e, por isso, podem ser ajustados quando há diagnóstico adequado e comprometimento institucional. 

Tabela de riscos psicossociais (modelo PGR) 

Fator de risco Situação de trabalho Possíveis impactos Medidas de prevenção 
Sobrecarga de trabalho Metas excessivas e prazos curtos Estresse e burnout Revisão de metas e jornadas 
Baixa autonomia Decisões centralizadas Desmotivação Ampliação da participação 
Ambiguidade de papéis Falta de clareza de funções Ansiedade Definição de responsabilidades 
Insegurança no emprego Mudanças frequentes Estresse crônico Comunicação transparente 
Assédio moral Práticas abusivas Adoecimento mental Políticas e canais de denúncia 
Falta de suporte Liderança despreparada Isolamento Capacitação de gestores 
Desequilíbrio vida-trabalho Hiperconectividade Exaustão Políticas de desconexão 
Conflitos interpessoais Clima organizacional ruim Sofrimento psíquico Mediação e diálogo 
Falta de reconhecimento Esforço não valorizado Desmotivação Programas de reconhecimento 

Como avaliar os riscos psicossociais no trabalho 

Diante de tudo, é necessário haver um momento de avaliação. Essa avaliação pode combinar análise documental, questionários, entrevistas, observação das atividades e indicadores de saúde. A participação dos trabalhadores e o cuidado com a confidencialidade são fundamentais para obter informações confiáveis. 

MTE destaca a convergência com modelos internacionais, como o PRIMA-EF, que reforça a importância de avaliar o contexto organizacional e não apenas o indivíduo. 

Impactos para o trabalhador e para a empresa 

Para o trabalhador, a boa gestão dos riscos psicossociais significa mais previsibilidade, segurança psicológica e qualidade de vida. 

Para a empresa, representa melhor clima organizacional, maior engajamento, retenção de talentos e redução de passivos trabalhistas, além de fortalecimento da imagem institucional. 

Como gerenciar os riscos psicossociais 

Uma boa gestão de riscos psicossociais envolve integração entre SST, RH, liderança e comunicação interna. 

É importante a integração entre PGR e PCMSO, permitindo análises mais consistentes dos agravos à saúde e decisões preventivas baseadas em dados. 

Campanhas educativas contínuas e o uso de soluções digitais ajudam a transformar diretrizes técnicas em prática diária, sustentando uma cultura de cuidado e prevenção. Proposta que orienta as soluções desenvolvidas pela Weex. 

Boas práticas para líderes e gestores no dia a dia 

Além das ações estruturais previstas no PGR, a gestão dos riscos psicossociais no trabalho também se fortalece a partir das práticas cotidianas de liderança. Pequenas decisões e comportamentos recorrentes exercem impacto direto na percepção de segurança psicológica das equipes. 

Líderes que mantêm comunicação clara, dão previsibilidade às mudanças, alinham expectativas e demonstram disponibilidade para ouvir reduzem significativamente fatores como ansiedade, insegurança e conflitos. Segundo orientações da Fundacentro e do MTE, a qualidade da gestão imediata é um dos elementos mais determinantes para a prevenção de riscos psicossociais. 

Outro ponto relevante é o preparo das lideranças para reconhecer sinais precoces de sobrecarga, como queda repentina de desempenho, irritabilidade, isolamento ou aumento de erros operacionais. Embora o líder não atue como profissional de saúde, sua capacidade de encaminhar situações e acionar os canais corretos faz diferença na prevenção de agravos mais graves. 

Infográfico sobre o papel dos líderes na prevenção dos riscos psicossociais.

O papel da comunicação interna na prevenção 

A comunicação interna exerce papel estratégico na gestão dos riscos psicossociais no trabalho. Informações desencontradas, excesso de ruído ou ausência de diálogo estruturado ampliam a sensação de insegurança e desorganização. 

Quando a empresa comunica de forma transparente objetivos, mudanças, critérios de avaliação e expectativas, cria um ambiente mais previsível e confiável. Campanhas internas bem planejadas ajudam a traduzir temas técnicos em mensagens acessíveis, reforçando comportamentos seguros, respeito mútuo e cuidado coletivo. 

Nesse sentido, soluções digitais de comunicação contínua, como as utilizadas pela Weex, permitem que orientações sobre saúde mental, prevenção ao assédio, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e canais de apoio estejam sempre disponíveis, alcançando diferentes turnos, unidades e perfis de trabalhadores. 

Riscos psicossociais e cultura organizacional 

Os riscos psicossociais no trabalho estão diretamente conectados à cultura organizacional. Empresas que valorizam apenas resultados, sem considerar limites humanos, tendem a naturalizar jornadas excessivas, pressão constante e conflitos interpessoais. 

Por outro lado, organizações que promovem respeito, cooperação e diálogo constroem ambientes mais saudáveis e sustentáveis. A cultura não se forma apenas por normas escritas, mas pelas práticas reais do dia a dia, pelo exemplo das lideranças e pelas decisões institucionais. 

A gestão dos riscos psicossociais deve, portanto, ser vista como parte da evolução cultural da empresa, e não apenas como atendimento a uma exigência legal. Esse olhar favorece maior engajamento das equipes e mais efetividade das medidas preventivas. 

Conexão entre riscos psicossociais, ESG e reputação 

Infográfico sobre a tríade da sustentabilidade corporativa: Gestão de Riscos Psicossociais, Reputação Corporativa e ESG.

Nos últimos anos, os riscos psicossociais passaram a integrar discussões mais amplas sobre sustentabilidade e responsabilidade corporativa. No pilar social do ESG, a forma como a empresa cuida da saúde mental das pessoas que trabalham tornou-se um indicador relevante de maturidade organizacional. 

Ambientes marcados por altos índices de afastamento, conflitos recorrentes e denúncias de assédio tendem a apresentar maior risco reputacional e institucional. Por outro lado, empresas que demonstram compromisso real com o bem-estar, a escuta ativa e a prevenção fortalecem sua imagem perante trabalhadores, investidores e a sociedade. 

Assim, gerenciar os riscos psicossociais no trabalho também significa proteger a reputação da organização e sua capacidade de atrair e reter talentos. 

Conclusão 

Os riscos psicossociais no trabalho deixaram de ser um tema periférico e passaram a integrar, de forma definitiva, a gestão de saúde e segurança ocupacional. 

A partir da nova NR-1, sua gestão é uma exigência técnica, legal e organizacional. No entanto, quando tratada apenas como obrigação formal, perde grande parte de seu potencial preventivo. 

Ao olhar para a organização do trabalho, fortalecer a liderança, investir em comunicação contínua e integrar SST, RH e gestão, as empresas constroem ambientes mais saudáveis, produtivos e sustentáveis. 

Mais do que atender à norma, tratar os riscos psicossociais de forma estruturada é um passo importante para evoluir a cultura de segurança, cuidado e respeito nas organizações. Caminho que a Weex apoia ao transformar informação técnica em prática acessível no dia a dia. 

Perguntas frequentes sobre Riscos Psicossociais no Trabalho:

Microempresas e pequenas empresas também precisam gerenciar riscos psicossociais?

Sim. Segundo o próprio Ministério do Trabalho e Emprego, a obrigação se aplica a todas as empresas com trabalhadores registrados em CLT, independentemente do porte. De acordo com a RAIS 2023, o Brasil tem 4,5 milhões de estabelecimentos com empregados; e mais de 56% deles têm entre 1 e 4 funcionários. A NR-1 não faz distinção por tamanho: o que varia é a complexidade da avaliação, não a obrigatoriedade.

É obrigatório contratar psicólogo para realizar a avaliação de riscos psicossociais?

Não. A NR-1 não exige a contratação de psicólogos como funcionários fixos. A norma determina que a organização seja responsável pelo processo e defina os profissionais com conhecimento técnico adequado para cada etapa.

Técnicos e engenheiros de SST, médicos do trabalho e membros da CIPA podem conduzir a avaliação. A contratação de especialistas como consultores externos é recomendável em casos mais complexos, mas não é obrigatória para todas as empresas.

Qual o custo global do adoecimento por riscos psicossociais?

Segundo dados conjuntos da OIT e OMS publicados em 2022, depressão e ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com impacto econômico estimado em quase um trilhão de dólares anuais, relacionados principalmente à perda de produtividade.

No Brasil, apenas em 2024, foram registradas mais de 472 mil licenças médicas por transtornos psicológicos, com aumento de 68% em relação ao ano anterior, segundo o Observatório de SST.

Riscos psicossociais impactam os critérios ESG da empresa?

Diretamente. O pilar social do ESG avalia as condições de trabalho, saúde e bem-estar dos trabalhadores e a gestão inadequada de riscos psicossociais gera impactos negativos em todos esses critérios.

Além disso, investidores e fundos ESG passaram a considerar o índice de afastamentos por transtornos mentais, ações trabalhistas e clima organizacional como indicadores de risco reputacional e financeiro. Empresas que gerenciam bem esses riscos constroem vantagem competitiva real em processos de captação de investimento e acesso a contratos com grandes players que exigem certificações de integridade.

Como a fiscalização do MTE vai verificar o cumprimento das exigências sobre riscos psicossociais?

Segundo o próprio MTE, os auditores-fiscais verificarão a existência do PGR atualizado com os riscos psicossociais incluídos no inventário, a coerência entre os riscos identificados e o plano de ação, a participação dos trabalhadores no processo e a efetividade das medidas preventivas adotadas.
As inspeções serão realizadas de forma planejada e por meio de denúncias, com prioridade para setores de maior incidência de adoecimento mental: teleatendimento, bancos e estabelecimentos de saúde. A fiscalização passa a ter caráter punitivo a partir de 26 de maio de 2026.

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