A campanha de riscos psicossociais é, hoje, uma das iniciativas mais urgentes para equipes de SST e RH.
Com a NR-1 atualizada pela Portaria MTE nº 1.419/2024, os riscos psicossociais passaram a integrar o GRO. Portanto, toda empresa com regime CLT precisa identificar e controlar fatores como sobrecarga, assédio e falta de autonomia. As autuações têm início em 26 de maio de 2026.
Contudo, cumprir a norma é apenas o ponto de partida. A campanha transforma a exigência legal em cultura real. Ela engaja trabalhadores, educa lideranças e constrói ambientes mais saudáveis de forma contínua.
Neste artigo, você vai entender o que é a campanha de riscos psicossociais e como estruturá-la na prática.
Sumário
- 1 O que é uma campanha de riscos psicossociais?
- 2 Por que realizar uma campanha de riscos psicossociais?
- 3 O que a NR-1 exige e qual a relação com a campanha?
- 4 Como estruturar uma campanha de riscos psicossociais: passo a passo
- 5 O papel das lideranças na campanha de riscos psicossociais
- 6 Campanha de riscos psicossociais x ação isolada: qual a diferença?
- 7 Como a Weex apoia campanhas de riscos psicossociais
- 8 Conclusão
O que é uma campanha de riscos psicossociais?
A campanha de riscos psicossociais é um conjunto de ações educativas planejadas para conscientizar trabalhadores e lideranças sobre os fatores que afetam a saúde mental no trabalho.
Diferentemente de uma palestra isolada, a campanha atua de forma contínua. Sendo assim, ela combina conteúdo acessível e estratégias de engajamento para manter o tema presente no dia a dia.
Em resumo: a campanha não substitui o PGR. Ela o complementa, traduzindo as medidas de prevenção em prática cotidiana e em cultura organizacional.
Por que realizar uma campanha de riscos psicossociais?
Os números justificam a urgência. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais. Além disso, a OMS estima que depressão e ansiedade causam 12 bilhões de dias úteis perdidos por ano no mundo.
Para as empresas, os impactos são igualmente concretos:
- Aumento do absenteísmo e da rotatividade;
- Queda de produtividade e aumento de retrabalho;
- Passivos trabalhistas e risco de autuação;
- Deterioração do clima organizacional.
Diante disso, a campanha cumpre um papel estratégico. Ela cria um ambiente onde os trabalhadores se sentem seguros para falar. Da mesma forma, as lideranças passam a saber como agir.
Leia também:
- Como os riscos psicossociais impactam o seu PGR?
- Guia definitivo sobre Riscos Psicossociais no Trabalho em 2026
- Como aplicar a Avaliação de Riscos Psicossociais no Trabalho
- NR-1 atualizada 2026: entenda as principais mudanças e o impacto do trabalho na saúde mental
- Fatores de Risco Psicossocial: como identificar e gerenciar no ambiente de trabalho
O que a NR-1 exige e qual a relação com a campanha?
A Portaria MTE nº 1.419/2024 tornou obrigatória a inclusão dos riscos psicossociais no PGR. Portanto, esses fatores agora figuram ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.
Na prática, a norma determina que as empresas:
- Identifiquem os perigos psicossociais na organização do trabalho;
- Avaliem probabilidade e gravidade dos possíveis agravos;
- Definam medidas de prevenção coletivas e organizacionais;
- Documentem o processo no PGR, com participação de CIPA e SESMT.
As autuações pela Inspeção do Trabalho iniciam em 26 de maio de 2026. Setores prioritários: teleatendimento, saúde e bancos. Multas podem chegar a R$ 6 mil por empregado.
Contudo, a NR-1 não define um roteiro rígido de execução. Consequentemente, a campanha de riscos psicossociais se torna um dos recursos mais eficazes para operacionalizar as exigências no cotidiano.
Quais temas uma campanha de riscos psicossociais deve abordar?
Uma campanha eficaz cobre os principais fatores de risco da NR-1 e do Guia do MTE (2025). Entre os temas essenciais, estão:
Organização e condições de trabalho
- Sobrecarga de trabalho e metas excessivas;
- Jornadas longas e ausência de pausas adequadas;
- Baixa autonomia e falta de previsibilidade.
Relações interpessoais e liderança
- Assédio moral e sexual — identificação e canais de denúncia;
- Conflitos interpessoais e isolamento social;
- Papel da liderança na prevenção do adoecimento.
Saúde mental e bem-estar
- Sinais de burnout, ansiedade e depressão;
- Equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
- Canais de apoio psicológico disponíveis na empresa.
Além disso, os temas precisam ser adaptados à realidade de cada setor. Dessa forma, a campanha ganha relevância e adesão concreta dos trabalhadores.
Como estruturar uma campanha de riscos psicossociais: passo a passo
Estruturar uma campanha exige planejamento e método. Dessa forma, siga as etapas abaixo:
- Diagnóstico: pesquisas de clima, afastamentos com CID F e escuta ativa revelam os riscos mais presentes.
- Objetivos claros: conscientizar sobre assédio? Reduzir absenteísmo? Capacitar gestores? Defina antes de planejar.
- Segmentação do público: operacional, liderança e administrativo têm necessidades distintas. Portanto, personalize os conteúdos.
- Canais e formatos: combine vídeos curtos, quizzes e materiais digitais para alcançar diferentes turnos e perfis.
- Engajamento ao longo do ano: a campanha não se esgota em uma semana. Planeje ações distribuídas para manter o tema vivo.
- Monitoramento: acompanhe participação e indicadores de saúde. Afinal, o que não se mede não se melhora.
O papel das lideranças na campanha de riscos psicossociais
Líderes são a linha de frente da prevenção. Segundo o MTE e a Fundacentro, a gestão imediata é um dos fatores mais determinantes para o adoecimento das equipes.
Portanto, a campanha precisa incluir os gestores como protagonistas. Sendo assim, capacitá-los para reconhecer sinais precoces e acionar os canais corretos é parte fundamental da estratégia.
Da mesma forma, quando os líderes participam ativamente, o engajamento das equipes aumenta. A mensagem de que saúde mental é prioridade ganha credibilidade quando vem de quem lidera.
Campanha de riscos psicossociais x ação isolada: qual a diferença?
Uma campanha estruturada não é um evento. É um processo contínuo de conscientização e mudança de comportamento — sustentado por método, conteúdo e tecnologia.
Ações isoladas, como uma palestra no Setembro Amarelo, têm valor simbólico, mas impacto limitado. Consequentemente, não constroem cultura nem geram mudança duradoura.
Por outro lado, uma campanha bem estruturada:
- Mantém o tema vivo durante todo o ano;
- Atinge trabalhadores de diferentes turnos, unidades e perfis;
- Integra conteúdo, gamificação e monitoramento em uma única jornada;
- Gera dados para alimentar o PGR e o PCMSO.
Portanto, a campanha contínua é estratégica e preventiva. Ela reduz riscos legais e constrói uma cultura organizacional mais saudável.
Como a Weex apoia campanhas de riscos psicossociais
A Weex é referência em campanhas: de SIPAT a saúde mental, compliance e ESG. Sendo assim, sua plataforma oferece tudo para estruturar uma campanha de riscos psicossociais com engajamento real.
Entre os recursos disponíveis, estão:
- Biblioteca com mais de 300 conteúdos: saúde mental, assédio, bem-estar e ergonomia, com linguagem acessível e visual atrativo.
- Gamificação: quizzes, rankings e desafios em equipe que tornam o aprendizado envolvente e mensurável.
- Segmentação por perfil: conteúdos diferentes para operacional, liderança e administrativo.
- Acessibilidade total: disponível em desktop e mobile, atingindo todos os turnos e unidades.
- Relatórios completos: dados de participação e aprendizado para embasar as ações do PGR e do SESMT.
Além disso, o Método Weex® garante que a campanha não comece e termine em uma semana. Pelo contrário: ela se torna uma jornada contínua de conscientização e prevenção.
Portanto, as empresas que utilizam a Weex vão além da conformidade com a NR-1. Afinal, elas constroem uma cultura onde saúde mental é parte da rotina.
Conclusão
A campanha de riscos psicossociais deixou de ser diferencial. Ela é, hoje, parte essencial da gestão de SST.
Ela conecta a exigência da NR-1 com a prática cotidiana e transforma um tema complexo em ações concretas. Portanto, estruturá-la com método e tecnologia adequada faz a diferença entre cumprir uma obrigação e construir cultura real.
Sendo assim, se a sua empresa ainda não iniciou esse processo, o momento é agora e a Weex está pronta para apoiar cada etapa dessa jornada.
Perguntas frequentes sobre Campanha de Riscos Psicossociais:
O próprio texto da Portaria MTE nº 1.419/2024 e os comunicados da Inspeção do Trabalho indicam que os setores de teleatendimento, saúde e serviços financeiros serão prioritários nas primeiras rodadas de fiscalização, por concentrarem historicamente os maiores índices de adoecimento por transtornos mentais relacionados ao trabalho. Nesses setores, fatores como metas agressivas, monitoramento intensivo de produtividade e alta demanda emocional criam um perfil de risco psicossocial bem documentado pela literatura científica e pelos dados do INSS.
Contudo, a obrigação legal se aplica a todas as empresas com regime CLT, independentemente do setor ou porte, e a ausência de ação documentada no PGR expõe qualquer organização a autuações com multas que podem chegar a R$ 6 mil por trabalhador exposto. Empresas de outros setores que aguardam fiscalização para iniciar o processo incorrem em risco duplo: o da autuação administrativa e o do passivo trabalhista por adoecimento não gerenciado.
Abordar o assédio moral em campanhas internas exige cuidado técnico e jurídico, pois a forma como o tema é comunicado pode ser interpretada como reconhecimento implícito de ocorrências pela empresa. A recomendação de especialistas em direito do trabalho e saúde ocupacional é tratar o tema de forma preventiva e educativa, focando na identificação de comportamentos de risco e nos canais de denúncia disponíveis, sem fazer referência a casos específicos ou generalizações sobre a cultura da empresa.
O Tribunal Superior do Trabalho tem consolidado entendimento de que empresas com canais de denúncia ativos, políticas formais de prevenção documentadas e registros de treinamento sobre o tema têm posição mais favorável em ações por assédio do que aquelas sem qualquer evidência de ação preventiva. Portanto, campanhas bem documentadas protegem a empresa juridicamente, desde que a comunicação seja estruturada com orientação da área jurídica e do SESMT.
Sim, e a distinção tem impacto direto nas obrigações da empresa. O estresse ocupacional é considerado um estado de sobrecarga que pode ou não evoluir para adoecimento, enquanto o burnout foi reconhecido pela OMS em 2022 como fenômeno ocupacional com código próprio na CID-11 (QD85), vinculado exclusivamente ao contexto de trabalho.
No Brasil, o INSS já concede benefícios por incapacidade com nexo ocupacional em casos de burnout devidamente documentados pelo médico do trabalho, o que obriga a empresa a emitir o CAT e pode ativar o nexo técnico epidemiológico previdenciário (NTEP) para o CNAE da empresa. Quando o NTEP é ativado, a presunção de nexo é invertida e a empresa precisa provar que o adoecimento não está relacionado ao trabalho, o que torna campanhas preventivas documentadas um dos poucos instrumentos de defesa disponíveis nesse tipo de ação.
Empresas com menos de 50 trabalhadores em atividades de grau de risco 1 ou 2, conforme a NR-4, não são obrigadas a manter SESMT próprio, mas continuam sujeitas às obrigações da NR-1 em relação ao gerenciamento de riscos psicossociais. Nesse contexto, o SESI e o SENAI oferecem serviços de assessoria em SST para pequenas empresas industriais a custos subsidiados, incluindo suporte para elaboração do PGR e condução de avaliações psicossociais.
Outra alternativa é contratar consultoria externa especializada para a avaliação inicial, utilizando o diagnóstico resultante como base para campanhas internas conduzidas pela própria liderança com apoio de materiais digitais. O Sebrae também disponibiliza orientações gratuitas sobre conformidade com normas trabalhistas para micro e pequenas empresas, incluindo conteúdos sobre as atualizações da NR-1.
Essa é uma das perguntas mais honestas que uma equipe de SST pode fazer antes de investir em campanha. A evidência científica disponível aponta que campanhas isoladas de conscientização têm impacto de curto prazo e baixa capacidade de mudança estrutural por si sós. Um estudo publicado no Journal of Occupational Health Psychology revisou 58 intervenções em saúde mental ocupacional e concluiu que ações educativas combinadas com mudanças organizacionais concretas, como revisão de metas, ampliação de autonomia e melhoria da gestão imediata, produzem reduções sustentadas de risco entre 30% e 45% ao longo de dois anos.
Campanhas sem contrapartida organizacional, por outro lado, geraram melhora de percepção no curto prazo mas nenhuma variação significativa nos indicadores de saúde após seis meses. O dado reforça o que a Fundacentro orienta: a campanha é condição necessária mas não suficiente, e precisa estar ancorada em mudanças reais nas condições de trabalho para produzir impacto duradouro.



