O Setembro Amarelo se consolidou como uma das campanhas mais recorrentes do calendário corporativo brasileiro. Mas em 2026 essa campanha ganhou um peso que vai além da conscientização pontual: a conexão entre setembro amarelo e nr-1 deixou de ser apenas simbólica. A norma que trata da gestão de riscos ocupacionais no Brasil agora exige, formalmente, que as empresas tratem os fatores psicossociais com o mesmo rigor técnico dado a riscos físicos, químicos e biológicos.
Para quem lidera cultura, RH ou people experience, isso muda o que uma campanha de setembro precisa entregar. Não basta sensibilizar por uma semana. Portanto, é preciso pensar a ação como parte de um processo mais amplo, capaz de gerar dado, documentação e evidência de cuidado contínuo. A seguir, veja como a NR-1 se conecta ao Setembro Amarelo na prática, o que a norma exige hoje e como aproveitar a estrutura que a empresa já monta em setembro para avançar também na conformidade legal.
Sumário
- 1 Por que Setembro Amarelo e NR-1 conversam na prática?
- 2 NR-1 e riscos psicossociais: o que está em vigor em setembro de 2026?
- 3 Setembro Amarelo cumpre a exigência da NR-1?
- 4 Como aproveitar a estrutura do Setembro Amarelo para avançar na NR-1?
- 5 Como saber se a campanha está gerando dado aproveitável para a NR-1?
- 6 Quem deve liderar essa conexão dentro da empresa?
- 7 Como a Weex apoia essa conexão
- 8 Perguntas Frequentes sobre setembro Amarelo e NR-1:
Por que Setembro Amarelo e NR-1 conversam na prática?
Setembro Amarelo e NR-1 conversam porque tratam da mesma raiz: o risco psicossocial mal gerenciado. Esse é um dos fatores que contribuem para o adoecimento mental no trabalho. E a NR-1 formaliza esse cuidado como obrigação legal, não apenas como boa prática de RH.
Antes, cada empresa decidia se fazia ou não uma campanha de saúde mental. Hoje, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) precisa incluir os fatores de risco psicossociais no mesmo inventário técnico usado para riscos físicos e químicos. Sobrecarga de trabalho, metas inalcançáveis, assédio moral, jornadas exaustivas e insegurança no emprego entraram formalmente no radar da fiscalização trabalhista.
Isso não transforma o Setembro Amarelo em documento jurídico. Mas aproxima duas agendas que antes andavam separadas: a de cultura e engajamento, tocada por RH. E a de compliance regulatório, tocada por SST e jurídico.
NR-1 e riscos psicossociais: o que está em vigor em setembro de 2026?
Em setembro de 2026, a exigência de incluir riscos psicossociais no PGR está em vigor, mas a aplicação de multas está temporariamente suspensa por decisão do Supremo Tribunal Federal. São duas camadas diferentes, e confundi-las é o erro mais comum sobre o tema.
A obrigação continua valendo
A Portaria MTE nº 1.419/2024 incluiu os fatores de risco psicossociais no capítulo 1.5 da NR-1, e a nova redação entrou em vigor em 26 de maio de 2026, após prorrogação definida pela Portaria MTE nº 765/2025. Essa informação consta na própria página oficial da NR-1 no site do Ministério do Trabalho e Emprego. Na prática, toda empresa com trabalhadores registrados pela CLT precisa identificar, avaliar, documentar e monitorar os riscos psicossociais dentro do seu PGR.
As multas estão suspensas, não a norma
Em 25 de junho de 2026, o STF concedeu liminar na ADPF 1316, suspendendo por 90 dias a aplicação de multas ligadas a itens específicos da NR-1. O Plenário confirmou essa suspensão por unanimidade em agosto, e o Supremo Tribunal Federal detalhou a decisão em nota oficial. O prazo de 90 dias se encerra por volta de 23 de setembro de 2026, quando o processo volta ao relator.
Enquanto isso, a obrigação de gerenciar riscos psicossociais permanece de pé. O Ministério Público do Trabalho não está vinculado à decisão do STF e continua atuando com base na CLT e na Constituição. Para entender o passo a passo técnico dessa exigência, vale consultar o guia completo sobre a Portaria MTE 1419 e riscos psicossociais da Weex.
Setembro Amarelo cumpre a exigência da NR-1?
Não. O Setembro Amarelo é uma ação pontual de conscientização, e a NR-1 exige gestão contínua de risco. Uma coisa não substitui a outra, embora as duas se complementem muito bem.
Uma campanha de uma semana ou de um mês cumpre um papel importante: abre espaço para falar de saúde mental, reduz o estigma e mobiliza a liderança em torno do tema. Mas o mapeamento de risco psicossocial que a NR-1 exige é um processo permanente. Com metodologia, inventário de riscos, plano de ação e monitoramento ao longo do ano.
Trate o Setembro Amarelo como uma etapa dentro do programa, e não como o programa completo. Isso significa registrar o que a campanha revelou, cruzar esses achados com os dados que a área de SST já coleta e usar tudo isso como insumo para o PGR. Tudo isso em vez de guardar a campanha como uma ação isolada no calendário de RH.
Como aproveitar a estrutura do Setembro Amarelo para avançar na NR-1?
A boa notícia é que a estrutura que a empresa já monta em setembro pode virar insumo direto para a gestão de riscos psicossociais, sem precisar recriar processos do zero.
- Comunicação: os materiais de campanha, como vídeos, cartilhas e posts internos, já falam a linguagem que engaja os trabalhadores. Reaproveitar esse tom em comunicações contínuas sobre saúde mental ao longo do ano fortalece a cultura sem exigir nova produção criativa.
- Engajamento: enquetes, rodas de conversa e ações interativas do Setembro Amarelo revelam, ainda que de forma indireta, percepções sobre carga de trabalho, relação com a liderança e clima organizacional. Esses sinais qualitativos ajudam a orientar onde aprofundar a investigação técnica exigida pela norma.
- Coleta de dado: taxas de participação, respostas a enquetes e feedbacks abertos, quando bem documentados, viram evidência de que a empresa monitora o tema. Isso não substitui a metodologia formal do PGR, mas compõe o histórico que comprova cuidado contínuo.
O ponto de partida é sempre o mesmo: alinhar RH e SST antes de setembro, para que a campanha já nasça pensada como fonte de dado, e não só como ação de sensibilização.
Como saber se a campanha está gerando dado aproveitável para a NR-1?
A campanha gera dado aproveitável quando os resultados são analisados tecnicamente, documentados e cruzados com outros indicadores de SST, e não apenas arquivados como relatório de engajamento.
Alguns sinais de que o Setembro Amarelo está indo além da conscientização pontual:
- Registro estruturado: a empresa documenta datas, temas abordados, público alcançado e taxa de participação, com critérios definidos previamente.
- Cruzamento com outros indicadores: os dados da campanha são comparados com afastamentos, turnover, pesquisa de clima e ocorrências reportadas pelo canal de compliance.
- Plano de ação decorrente: a campanha gera, no mínimo, uma lista de pontos de atenção que alimenta o inventário de riscos do PGR.
- Continuidade: existe algum desdobramento depois de setembro, mostrando que o tema não fica restrito a um mês do calendário.
Se nada disso acontece, a campanha continua sendo uma boa ação de cultura, mas ainda não é evidência de gestão de risco psicossocial. Essa clareza evita a falsa sensação de conformidade com a norma.
Quem deve liderar essa conexão dentro da empresa?
Não deve ser responsabilidade isolada de RH nem só de SST. A conexão entre Setembro Amarelo e NR-1 funciona melhor quando as duas áreas planejam juntas, com apoio do jurídico ou compliance.
Na prática, isso significa envolver a liderança de SST desde o planejamento da campanha, e não só depois, para validar o que pode virar insumo técnico. Também significa dar visibilidade à liderança executiva sobre os resultados, já que a exigência da NR-1 é, no fim, responsabilidade da empresa como um todo.
Para profissionais de RH e cultura, essa integração é uma oportunidade de mostrar que a campanha gera resultado mensurável, o que fortalece a área internamente e evita o risco de a ação parecer simbólica. Essa lógica conversa diretamente com outras frentes de conformidade dentro da empresa, como mostra o conteúdo sobre compliance na SST.
Como a Weex apoia essa conexão
A Weex atua como plataforma de campanhas de engajamento, incluindo ações de Setembro Amarelo com conteúdo pronto, participação registrada e dados de engajamento organizados. Mais de 2 mil campanhas já foram realizadas na plataforma, o que dá às empresas um histórico consistente de participação em ações de saúde e cultura.
Isso ajuda a gerar o tipo de dado estruturado descrito acima: quem participou, quando e com qual nível de engajamento. Vale reforçar um ponto importante: a Weex não substitui a avaliação técnica e jurídica exigida pela NR-1. O mapeamento formal de risco psicossocial deve ser conduzido por SST, com apoio jurídico, seguindo a metodologia prevista na norma. A plataforma entra como apoio à execução da campanha e à organização dos dados de participação, não como solução de compliance regulatório.
Para explorar outras campanhas de calendário corporativo com essa mesma lógica de dado e recorrência, vale conferir o conteúdo sobre campanhas de meses coloridos e o guia completo sobre riscos psicossociais no trabalho.
Diante desse cenário, o próximo passo natural é revisar como a campanha deste ano está sendo planejada, garantindo que ela gere dado, e não apenas visibilidade. Para aprofundar como estruturar essa campanha na prática, veja também o conteúdo sobre a campanha de Setembro Amarelo da Weex.
Perguntas Frequentes sobre setembro Amarelo e NR-1:
Não. O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização, não uma exigência legal específica. A obrigação legal está na NR-1, que exige gestão de riscos psicossociais o ano todo, independentemente de a empresa participar do movimento de setembro. Ainda assim, dados do Ministério da Previdência Social mostram por que o tema não pode ser ignorado: em 2024, os afastamentos por transtornos mentais somaram 472.328 casos, um crescimento de 68% em relação a 2023, o maior número da última década. Isso reforça que a conversa sobre saúde mental no trabalho é urgente, com ou sem calendário fixo.
A norma trata como risco psicossocial fatores relacionados à organização e à gestão do trabalho que podem causar dano à saúde mental, como sobrecarga, metas inalcançáveis, assédio moral, jornadas excessivas e insegurança no emprego. Segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), os registros de ansiedade (CID F41) passaram de 81.874 casos em 2023 para 157.235 em 2025, respondendo por cerca de 40% dos afastamentos por saúde mental no país. Esse crescimento ajuda a explicar por que o legislador decidiu formalizar a exigência dentro do PGR.
Em setembro de 2026, a aplicação de multas ligadas a itens específicos da NR-1 está suspensa por decisão do STF, mas apenas de forma temporária. A suspensão tem prazo de 90 dias a partir de 25 de junho de 2026, com término estimado em 23 de setembro de 2026, quando o processo retorna ao relator. Vale lembrar que o Ministério Público do Trabalho não está vinculado a essa suspensão e pode agir com base na CLT. Por isso, tratar a suspensão como dispensa definitiva é um risco desnecessário para a empresa.
Sim. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, além de chat e e-mail, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. É um recurso que pode e deve ser divulgado em campanhas internas de saúde mental, junto com a Rede de Atenção Psicossocial (CAPS) do SUS. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano no mundo, o equivalente a uma em cada 100 mortes registradas globalmente. Divulgar canais de apoio de forma clara é uma das ações mais simples e eficazes que uma campanha pode oferecer.
Sim, a exigência de gerenciar riscos psicossociais se aplica a todas as empresas com trabalhadores registrados pela CLT, independentemente do porte. Microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas do PGR completo podem usar a Avaliação Ergonômica Preliminar prevista na NR-17 como evidência do cuidado com o tema. Segundo a Organização Mundial da Saúde e a Organização Internacional do Trabalho, cerca de 15% dos trabalhadores adultos no mundo convivem com algum transtorno mental, o que reforça que o problema atravessa empresas de todos os tamanhos e setores.



