A implementação eficaz do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) é uma exigência legal e uma necessidade estratégica para qualquer organização comprometida com a segurança do trabalho. Entretanto, apesar do foco recorrente em riscos físicos, químicos e ergonômicos, os riscos psicossociais no PGR ainda são subestimados por muitas empresas. Ignorar esses fatores pode, portanto, comprometer profundamente o clima organizacional, a produtividade e, claro, a saúde mental dos trabalhadores.
Neste artigo, vamos abordar o que são riscos psicossociais, sua relação com a nova NR-1 e como integrá-los corretamente ao PGR. O objetivo é oferecer um guia prático, direto e fundamentado para que você possa aplicar esse conhecimento de forma imediata na sua realidade profissional.
Sumário
- 1 O que são Riscos Psicossociais?
- 2 O que gera riscos psicossociais?
- 3 Por que os riscos psicossociais são importantes no PGR?
- 4 Diferença entre risco e perigo na NR-1
- 5 Como se adaptar à nova NR-1?
- 6 Como colocar os riscos psicossociais no PGR
- 7 Cultura organizacional e riscos psicossociais
- 8 Conclusão
O que são Riscos Psicossociais?
Riscos psicossociais são condições do ambiente de trabalho que têm potencial de causar dano à saúde psicológica ou social dos trabalhadores. Eles incluem fatores como:
- Excesso de carga de trabalho
- Pressão por resultados inatingíveis
- Falta de reconhecimento
- Ambientes com assédio moral ou sexual
- Isolamento social
- Jornada excessiva
- Falta de apoio da liderança
Esses elementos atuam de forma invisível, mas com impactos concretos. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece os transtornos mentais relacionados ao trabalho como uma das principais causas de afastamento laboral no mundo.
O que gera riscos psicossociais?
Diversas situações dentro de uma empresa podem favorecer o surgimento de riscos psicossociais, como:
- Gestão autoritária ou negligente
- Falta de clareza nas responsabilidades e metas
- Ambientes de trabalho competitivos de forma excessiva
- Insegurança no emprego
- Conflitos de valores ou éticos entre empresa e trabalhador
Esses fatores criam um ambiente cronicamente estressante. Consequentemente, podem levar a casos de burnout, ansiedade, depressão e outras doenças ocupacionais. Quando não identificados e tratados, esses riscos se tornam parte da cultura da empresa.
Por que os riscos psicossociais são importantes no PGR?
O PGR tem como finalidade prever, identificar e controlar todos os riscos que possam afetar a segurança e saúde dos trabalhadores. Isso inclui, obrigatoriamente, os riscos psicossociais.
Além de ser uma exigência legal conforme a nova NR-1, considerar esse tipo de risco traz benefícios diretos, como:
- Redução de afastamentos e turnover
- Melhoria do clima organizacional
- Aumento da produtividade
- Fortalecimento da cultura de prevenção
Portanto, incluir os riscos psicossociais no PGR demonstra comprometimento real com a saúde integral dos trabalhadores e ajuda a consolidar uma cultura de bem-estar.
Diferença entre risco e perigo na NR-1
Para aplicar corretamente a gestão de riscos psicossociais, é essencial entender a diferença entre perigo e risco conforme a NR-1:
- Perigo: fonte com potencial de causar lesão ou dano à saúde.
- Risco: a probabilidade de que o dano ocorra em função da exposição ao perigo.
Exemplo prático:
- Perigo: liderança que utiliza gritos e ameaças como estratégia de gestão.
- Risco: trabalhador desenvolver ansiedade generalizada por exposição contínua à situação.
Logo, entender essa distinção é fundamental para identificar corretamente os riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Como se adaptar à nova NR-1?
A versão atual da NR-1 (vigente desde agosto de 2021) trouxe um novo paradigma: a obrigatoriedade da avaliação de riscos psicossociais no PGR.
Principais pontos de atenção:
- A empresa deve realizar o inventário de riscos, incluindo os psicossociais.
- É necessário definir medidas de controle e monitoramento.
- A participação dos trabalhadores e da CIPA é essencial.
Ferramentas como mapeamentos de clima organizacional, pesquisas de saúde mental, caixas de sugestões anônimas e rodas de conversa podem, por exemplo, ser utilizadas na etapa diagnóstica.
Como colocar os riscos psicossociais no PGR
Veja um passo a passo para integração eficiente:
1. Diagnóstico: aplique questionários, entrevistas e grupos focais para identificar fontes de estresse psicossocial.
2. Classificação dos riscos: utilize matrizes de risco com critérios específicos para fatores psicossociais (frequência, gravidade, exposição).
3. Definição de medidas de controle:
- Ações educativas (ex: SIPAT com foco em saúde mental)
- Reorganização de tarefas e metas
- Políticas contra assédio
- Fortalecimento da escuta ativa na liderança
4. Monitoramento contínuo: é fundamental avaliar os avanços e ajustar as medidas conforme feedbacks e indicadores (absenteísmo, rotatividade etc.).
5. Engajamento da liderança: sem apoio da gestão, nenhuma ação ganha robustez ou continuidade.
Cultura organizacional e riscos psicossociais
O PGR não é apenas um documento técnico, mas sim um reflexo da cultura organizacional. Se a cultura valoriza o bem-estar, os riscos psicossociais são naturalmente tratados como prioridade.
Uma cultura de comando e controle, por outro lado, tende a mascarar os sintomas ou, pior, reforçar práticas que geram sofrimento psíquico. Por isso, trabalhar a cultura é tão importante quanto identificar os riscos.
A boa notícia é que isso pode ser construído com campanhas bem planejadas, como a SIPAT, que pode ser uma poderosa ferramenta de diagnóstico e intervenção se for desenhada com foco comportamental e não apenas informativo.
Conclusão
Incluir os riscos psicossociais no PGR é mais do que cumprir uma exigência da nova NR-1. É sinal de maturidade organizacional e responsabilidade com o bem-estar dos trabalhadores.
Tratar apenas os riscos visíveis é, muitas vezes, tapar o sol com a peneira. Os impactos psicológicos de ambientes adoecedores são reais e custosos.
Portanto, o convite que fica é: reavalie o seu PGR com um novo olhar. Um olhar que enxergue para além dos acidentes visíveis, mas também para os danos silenciosos que comprometem vidas e resultados.



