Fatores de Risco Psicossocial: como identificar e gerenciar no ambiente de trabalho 

fatores de risco psicossocial

A saúde no trabalho vai muito além da prevenção de acidentes físicos. Os fatores de risco psicossocial, ou seja, as condições relacionadas à organização do trabalho, às relações interpessoais e ao contexto organizacional, são responsáveis por boa parte dos adoecimentos ocupacionais. Com a atualização da NR-1, gerenciar esses riscos se tornou, também, uma obrigação legal. 

O que são fatores de riscos psicossociais? 

São condições presentes no ambiente de trabalho que afetam negativamente a saúde mental, emocional e social dos trabalhadores. Diferente dos riscos físicos ou químicos, eles têm origem na forma como o trabalho é organizado e nas relações que se estabelecem dentro das empresas. 

Quando não gerenciados, esses fatores resultam em estresse crônico, burnout, ansiedade e depressão. Impactando não só o trabalhador, mas toda a organização. 

Importância de identificar e gerenciar os fatores de riscos psicossociais 

Ignorar os riscos psicossociais tem consequências concretas para as empresas: 

  • Aumento do absenteísmo e da rotatividade; 
  • Queda de produtividade e engajamento; 
  • Elevação dos custos com saúde ocupacional; 
  • Passivos trabalhistas e autuações fiscais; 
  • Danos à imagem e à cultura organizacional. 

Por outro lado, organizações que investem na gestão desses riscos colhem benefícios diretos: colaboradores mais engajados, menor rotatividade e ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. 

O papel da NR-1 na saúde mental no trabalho 

A NR-1 é a norma regulamentadora que estabelece as diretrizes gerais de segurança e saúde no trabalho no Brasil. Com suas atualizações recentes, ela passou a reconhecer formalmente que a saúde mental é parte integrante da saúde ocupacional. 

Assim, os riscos psicossociais devem ser identificados, avaliados e controlados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), da mesma forma que os riscos físicos, químicos e biológicos já eram tratados. Isso amplia o escopo de atuação dos profissionais de SST e da CIPA. 

O que muda com a nova NR-1 em relação aos fatores psicossociais 

A atualização da NR-1, vigente desde 2025, traz mudanças práticas e obrigatórias: 

  • Inclusão formal no PGR: os riscos psicossociais devem constar no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). 
  • Medidas preventivas documentadas: não basta identificar, é preciso registrar ações de controle e monitorar resultados. 
  • Participação dos trabalhadores: a escuta ativa dos colaboradores passa a ser parte do processo de identificação dos riscos. 
  • Revisão periódica: o plano de ação deve ser atualizado conforme mudanças na organização do trabalho. 

Como implementar as diretrizes da NR-1 na empresa? 

A implementação pode seguir quatro etapas práticas: 

  • 1. Mapeamento: utilize questionários validados, grupos focais e análise de indicadores de saúde (afastamentos por transtornos mentais, clima organizacional). 
  • 2. Avaliação: classifique os riscos por frequência e gravidade, incorporando-os ao PGR. 
  • 3. Plano de ação: defina medidas preventivas e corretivas, com responsáveis e prazos claros. 
  • 4. Monitoramento: estabeleça indicadores e revise o plano periodicamente. 

Quais são os principais fatores psicossociais no ambiente de trabalho? 

A literatura científica aponta os seguintes como os mais comuns e impactantes: 

  • Sobrecarga de trabalho (volume, complexidade e prazos excessivos); 
  • Falta de autonomia e controle sobre as próprias tarefas; 
  • Suporte social insuficiente de colegas e lideranças; 
  • Insegurança no emprego e instabilidade organizacional; 
  • Conflito trabalho-família (desequilíbrio entre vida pessoal e profissional); 
  • Violência, assédio moral e sexual; 
  • Falta de reconhecimento e recompensa; 
  • Comunicação organizacional deficiente e ambiguidade de papéis. 

Esses fatores podem agir isoladamente ou em combinação, amplificando seus efeitos sobre a saúde dos trabalhadores. 

Como identificar sinais de risco psicossocial em um trabalhador? 

Os sinais podem aparecer tanto no nível individual quanto coletivo. Fique atento a: 

No trabalhador individualmente: 

  • Queda repentina de produtividade ou aumento de erros; 
  • Irritabilidade, isolamento social ou choro frequente; 
  • Aumento de faltas, atrasos ou afastamentos; 
  • Relatos de insônia, cansaço extremo ou dores físicas recorrentes. 

No coletivo/setor: 

  • Alta taxa de absenteísmo em determinada área; 
  • Conflitos interpessoais frequentes; 
  • Queda no clima organizacional apontada em pesquisas internas; 
  • Aumento de afastamentos por transtornos mentais. 

Para estruturar essa identificação, ferramentas como o COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) e o JSS (Job Stress Scale) são amplamente utilizadas e reconhecidas. 

O papel das lideranças na prevenção dos riscos psicossociais 

Líderes e gestores ocupam uma posição central na prevenção e no controle dos riscos psicossociais. A forma como uma liderança se comunica, distribui tarefas, oferece feedback e lida com conflitos influencia diretamente o bem-estar de toda a equipe. Lideranças que praticam a escuta ativa, reconhecem o esforço dos colaboradores e são transparentes nas decisões contribuem para a criação de um ambiente psicologicamente seguro. Por isso, capacitar gestores para reconhecer sinais de sofrimento e agir de forma empática e preventiva é uma das medidas mais eficazes dentro de qualquer plano de ação voltado à saúde mental no trabalho. 

Conclusão 

Os fatores de risco psicossocial são uma realidade em praticamente todos os ambientes de trabalho e gerenciá-los deixou de ser opcional. Com a nova NR-1, a saúde mental passou a integrar formalmente o escopo da segurança ocupacional, exigindo ação estruturada por parte de profissionais de SST, membros da CIPA e gestores de pessoas. 

O caminho é claro: mapear, avaliar, agir e monitorar. Empresas que assumem esse compromisso não apenas cumprem a legislação, mas constroem ambientes de trabalho mais humanos, seguros e produtivos. 

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