Conheça as principais doenças ocupacionais e suas causas

Veja quais são as doenças ocupacionais mais comuns e entenda as condições de saúde no trabalho que mais causam afastamentos no país neste artigo.

Você sabia que, de acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países do G-20 e das Américas com maiores índices de mortalidades no trabalho? Segundo o estudo, que foi elaborado pelo Ministério Público do Trabalho e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) entre 2012 e 2020, cerca de 21.467 trabalhadores sofreram acidentes fatais no mercado de trabalho formal, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 6 óbitos a cada 100 mil vínculos trabalhistas no Brasil. 

Atualmente, é comum que o ambiente de trabalho seja o local onde as pessoas passam a maior parte do dia – o que pode contribuir para a ocorrência de acidentes devido a altos níveis de estresse, exaustão mental e desatenção. Trabalhar em um espaço que não oferece condições físicas adequadas para a realização de tarefas – como equipamentos de proteção individual (EPIs), por exemplo – pode resultar no desenvolvimento das chamadas doenças ocupacionais. 

Além de conhecer as principais doenças ocupacionais no Brasil, neste artigo você entenderá quais são as principais causas para seu surgimento e ter acesso a dicas simples e práticas que te ajudarão a prevenir a ocorrência dessas doenças entre seus colaboradores e colegas. 

O que é doença ocupacional? 

Independentemente do porte da empresa, é comum que, em algum momento, algum funcionário tenha sido afastado temporariamente do trabalho devido a problemas de saúde, como doenças ou lesões, relacionados à sua atividade laboral.  

As doenças ocupacionais são aquelas que, essencialmente, ocorrem dentro do ambiente de trabalho e estão ligadas direta ou indiretamente à uma ou mais causas provenientes das atividades desempenhadas por um funcionário e, principalmente, às condições às quais ele está submetido, tanto física quanto psicologicamente. Essas situações podem ser originadas de diversas formas, como pela falta ou uso inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs) ou condições precárias de trabalho. 

Contudo, é fundamental que você tenha entenda que “doença ocupacional” é um termo genérico, amplamente utilizado para designar tanto as doenças profissionais, quanto as doenças do trabalho. Mas qual é a diferença entre essas duas condições? 

Diferença entre doença profissional e doença do trabalho 

Por ocorrerem frequentemente em empresas de diversos portes e segmentos, é comum acreditar que esses dois termos representem a mesma coisa. É verdade que tanto a doença do trabalho quanto a doença profissional podem reduzir a produtividade, gerar afastamentos e causar prejuízos. Mas é fundamental que todos entendam bem cada um dos conceitos para, assim, evitar situações de risco e garantir o bem-estar de todos os funcionários.  

Segundo o artigo nº 20 da Lei nº 8.213/91, a doença profissional é aquela que tem origem com a exposição contínua a agentes de risco, sejam físicos ou químicos. Em outras palavras, a doença profissional tem relação direta com a atividade profissional, o que torna o agente de risco responsável por desencadear ou agravar alguma condição no organismo do trabalhador. 

Um exemplo dessa condição pode ser um jogador de futebol que sofre uma lesão no tornozelo durante uma partida. Devido a inexistência de equipamentos de proteção eficientes para essa profissão, todo esforço destinado para a realização do trabalho pode aumentar as possibilidades de desenvolver doenças profissionais, como a LER (lesão por esforço repetitivo). 

Já quando o assunto é a doença de trabalho, estamos falando sobre aquela circunstância que é desenvolvida devido às condições do local de trabalho. Apesar de não ser uma regra, a doença geralmente se desenvolve devido a um fator específico, que está associado à função exercida. 

Para que seja declarada como doença do trabalho, é preciso que o funcionário consiga provar que sua condição de saúde ocorreu devido a sua atribuição na empresa. Podemos citar, como exemplo de doença do trabalho, o desenvolvimento da disacusia (surdez) em trabalho realizado em local extremamente ruidoso sem o acompanhamento de EPIs adequados para abafar o som. 

Outra diferença importante entre essas duas condições está ligada a Previdência Social. Como as doenças profissionais costumam ser incapacitantes a longo prazo, elas são capazes de gerar o direito à aposentadoria por invalidez e, em alguns casos, aposentadoria especial. Por outro lado, como as doenças do trabalho não costumam possuir um agente causador, elas não passam por esse processo. É comum haver apenas um afastamento temporário em curto prazo, já que o seu tratamento pode ser feito por tempo indeterminado. Mas apesar dessas diferenças apresentadas, tanto a doença profissional quanto a doença do trabalho têm direito ao benefício do Seguro Contra Acidentes de Trabalho.

Principais doenças ocupacionais no Brasil 

A categoria de doenças ocupacionais por movimentos repetitivos talvez seja a mais comum no Brasil. Tanto a LER (lesões por esforços repetitivos) quanto a DORT (distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho) são resultantes do exercício prolongado e repetitivo de um determinado movimento.  

A DORT inclui atividades que contam com alterações da postura corporal e com complicações ergonômicas. Seus principais sintomas são as dores crônicas, tendinite, inflamações em articulações e dores lombares. 

Já a LER (que também pode acontecer fora do ambiente de trabalho) reduz, gradativamente, a capacidade do indivíduo de desempenhar sua atividade profissional e podendo, em casos mais extremos, resultar em aposentadoria por invalidez.  

Um ponto que diferencia a LER da DORT é o fato de que a primeira não corresponde a uma doença específica em si. Em outras palavras, a LER é um grupo de doenças com sintomas de dor nos membros superiores, com dificuldade de movimentação e redução da amplitude da mobilidade. A LER afeta músculos, tendões, ligamentos e os próprios nervos do paciente. 

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas é comum a ocorrência de formigamento, tendinite, bursite, mialgia e Síndrome do Túnel do Carpo (dormência e formigamento na mão e no braço, causados por um nervo comprimido no punho). 

Algo comum a essas duas condições é o desenvolvimento de quadros de estresse, irritabilidade, dificuldade de concentração e insônia, o que comprova como doenças ocupacionais podem afetar a produtividade e a qualidade de vida de qualquer trabalhador. Além disso, em razão de sua lenta progressão, a LER e a DORT costumam ser notadas apenas em estágio avançado.  

Também podemos destacar a principal doença respiratória relacionada ao trabalho no Brasil: a asma ocupacional. Essa condição, que é caracterizada pela obstrução das vias respiratórias, é resultado da inalação de agentes tóxicos que são responsáveis por alergias, como poeiras de substâncias tais como o algodão, a madeira, o linho e a borracha. 

A asma ocupacional pode causar falta de ar, sensação de pressão no tórax, respiração ruidosa e tosse. É comum que algumas pessoas apresentem sinais de alergia à poeira no trabalho, com sintomas de espirros, coriza e olhos lacrimejantes. Estes sintomas alérgicos podem se manter presentes durante meses ou anos, antes de desenvolver-se outros sintomas respiratórios mais graves.  

Comumente, pessoas que foram expostas às substâncias alérgicas durante o dia começam a apresentar sintomas somente à noite. Assim, a relação entre o local de trabalho e os sintomas, muitas vezes, é silenciosa – o que pode agravar ainda mais a situação.  

Seguindo a lista das principais doenças ocupacionais no Brasil, a dermatose ocupacional é uma doença do trabalho que também precisa ser destacada. Você sabe qual setor de trabalho há grande prevalência desse tipo de doença ocupacional? 

A dermatose corresponde a uma alteração na pele e/ou outros órgãos correlatos devido a exposição a agentes químicos ou substâncias irritativas, o que torna essa condição bastante comum em trabalhadores de indústrias. 

A dermatose pode ser dividida em dois grupos principais: a dermatite de contato alérgica e a dermatite de contato por irritação. Enquanto o primeiro grupo é caracterizado pela ocorrência de reações alérgicas apenas nos locais do corpo que entraram em contato com a substância irritante, a dermatite de contato por irritação é marcada por lesões nas áreas afetadas pelo material, como vermelhidão, bolhas, coceiras e pequenos ferimentos. 

Mas além de afetar o corpo físico, as doenças ocupacionais também estão ligadas a saúde mental. Afinal, as condições de trabalho que o funcionário é exposto e o desequilíbrio entre demandas e esforço realizado pode gerar um ambiente de estresse contínuo, o que, consequentemente, resultará em doenças. Você sabia que o estresse também pode afetar a capacidade de executar tarefas no trabalho? 

O estresse ocupacional pode gerar mudanças significativas no bem-estar e na vida do paciente, devido a combinação de reações físicas e comportamentais que podem ser provocadas por uma série de fatores. O estresse ocupacional pode trazer à tona sentimentos relacionados ao medo, desconforto, irritação e indignação. Quando não é tratado adequadamente, essa condição pode evoluir para a Síndrome de Burnout, que é um transtorno psíquico ligado ao esgotamento físico e mental decorrente do trabalho.

 

Como prevenir doenças ocupacionais 

As doenças ocupacionais podem ser evitadas e controladas com a adequação do ambiente de trabalho. A seguir, iremos compartilhar duas dicas fundamentais para a prevenção de doenças ocupacionais em sua empresa: 

  1. Fornecimento de EPIs 

Ter acesso a equipamentos de segurança é o ponto de partida para qualquer estratégia de prevenção e segurança. Mais do que ter direito a EPIs em ótimas condições, todo trabalhador do setor de indústrias deve receber o treinamento adequado para garantir que haja o uso correto desses materiais. Além disso, também é preciso que haja acompanhamento contínuo de profissionais de segurança e médicos do trabalho. E não se esqueça de desenvolver uma política interna eficiente destinada para a elaboração de estratégias de segurança! 

  1. Criação de um ambiente de trabalho saudável 

Trabalhar motivado e com um bom relacionamento social é algo imprescindível para qualquer funcionário. Além de gerar mais produtividade, esse cenário ainda é capaz de ajudar na prevenção de diversas doenças ocupacionais. Por isso, é fundamental que gestores, integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e outras lideranças dentro das organizações proporcionem os caminhos adequados para garantir a qualidade de vida e segurança de todos no ambiente profissional. 

Além de evitar o desenvolvimento de doenças e, consequentemente, salvar vidas, a segurança no trabalho é um fator determinante capaz de diferenciar e destacar a sua empresa das demais no mercado de trabalho. Com a missão de construir pontes entre o conhecimento das organizações e o comportamento das pessoas, a Weex pode te ajudar a impactar positivamente a sua empresa. Entre em contato e realize sua campanha corporativa digital com a Weex! 

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