CIPA + Assédio: como as empresas devem aplicar a Lei 14.457/22 em campanhas corporativas digitais 

Campanhas digitais são essenciais para a CIPA aplicar a Lei 14.457/22 e prevenir o assédio com impacto real na cultura da empresa.
cipa e assédio

A relação entre “CIPA e assédio” ganhou novos contornos com a entrada em vigor da Lei 14.457/22. Embora o papel da CIPA tradicionalmente estivesse ligado à prevenção de acidentes e à segurança do trabalho, agora é essencial que ela também atue ativamente na prevenção ao assédio sexual e moral. Isso se tornou não apenas uma exigência legal, mas também um imperativo ético e cultural. 

Dessa forma, é fundamental que as empresas compreendam como alinhar suas campanhas internas à legislação vigente. Ao mesmo tempo, é preciso entender o comportamento dos trabalhadores, que estão cada vez mais conectados, exigindo uma abordagem moderna, acessível e eficaz. Portanto, campanhas digitais surgem como solução estratégica, ampliando o alcance e promovendo mudanças reais na cultura organizacional. 

Ao longo deste artigo, vamos apresentar os impactos da Lei 14.457/22, o novo papel da CIPA, os tipos de assédio que precisam ser abordados, e, principalmente, como estruturar campanhas digitais que eduquem e engajem os trabalhadores. Tudo isso com foco prático, uso de frases de transição para fluidez e uma linguagem acessível. 

O que diz a Lei 14.457/22 e o que muda na atuação da CIPA 

Para começar, é importante entender o contexto da legislação. A Lei 14.457/22, que criou o Programa Emprega + Mulheres, estabeleceu diretrizes claras para o combate ao assédio no ambiente de trabalho. Entre elas, está a obrigatoriedade de a CIPA promover a prevenção de assédio moral e sexual, especialmente através de campanhas educativas e treinamentos. 

Em outras palavras, a CIPA deixa de atuar apenas na esfera da segurança física e passa a ter um papel essencial na segurança emocional e relacional dos trabalhadores. Isso significa, por exemplo, implementar canais seguros de escuta, apoiar a comunicação de condutas inadequadas e garantir que todos os trabalhadores sejam devidamente orientados sobre seus direitos. 

Mais do que uma obrigação legal, essa mudança representa uma evolução na forma como as empresas devem cuidar de suas equipes. É uma oportunidade concreta de fortalecer a cultura organizacional e promover ambientes mais respeitosos, colaborativos e seguros para todos. 

O que caracteriza o assédio e por que é essencial compreendê-lo 

Antes de estruturar qualquer campanha, é imprescindível compreender o que caracteriza o assédio no contexto corporativo. Existem diferentes tipos de assédio e, para cada um deles, uma estratégia distinta pode ser adotada. 

De forma geral, assédio é toda conduta abusiva que afeta a dignidade ou a integridade de uma pessoa. Pode acontecer de forma isolada ou recorrente, sendo sempre nocivo e inaceitável. Nesse sentido, podemos citar: 

  • Assédio moral: humilhação constante, isolamento de colegas, cobranças abusivas 
  • Assédio sexual: avanços não consentidos, insinuações de cunho sexual, chantagens 
  • Assédio estrutural: omissão institucional, tolerância a comportamentos inadequados 

Vale ressaltar que a banalização de certas atitudes, como piadas ofensivas ou apelidos constrangedores, também pode configurar assédio. Por isso, é fundamental promover a conscientização de todos os envolvidos, especialmente lideranças e gestores. 

Por que campanhas digitais são o melhor caminho 

Hoje, é inegável que a forma de consumir informação mudou. Os trabalhadores estão conectados ao WhatsApp, consomem conteúdo em vídeo e estão acostumados com mensagens curtas e visuais. Portanto, usar apenas cartazes ou palestras presenciais não é suficiente. 

Além disso, campanhas digitais têm maior alcance, podem ser monitoradas em tempo real e permitem adaptações rápidas. Ou seja, são mais eficazes e assertivas. Empresas como a Weex já utilizam esse formato, integrando conteúdo leve e formatos diversos como quizzes, podcasts e vídeos. 

Outro ponto importante é que a digitalização democratiza o acesso. Ao incluir legendas, áudio ou tradução em Libras, mais trabalhadores são alcançados, inclusive aqueles que atuam em diferentes turnos ou regiões. 

O novo papel da CIPA: de fiscal a promotora de cultura 

Tradicionalmente, a CIPA era vista como um “fiscal de normas”. No entanto, com a evolução do papel institucional, ela deve se posicionar como promotora da cultura de respeito dentro da organização. 

Dessa forma, a CIPA deve: 

  • Participar ativamente do planejamento das campanhas 
  • Validar os temas com base na realidade da empresa 
  • Estimular os trabalhadores a usarem canais de escuta 
  • Apoiar lideranças na escuta ativa e responsiva 

Ao atuar dessa maneira, a CIPA deixa de ser reativa e passa a ser protagonista em ações educativas. Isso fortalece sua relevância, gera empatia com os trabalhadores e contribui para um ambiente mais colaborativo e seguro. 

Como criar campanhas digitais com foco em engajamento 

Agora que já compreendemos os fundamentos, é hora de pensar na execução. Para criar campanhas digitais sobre assédio que realmente engajem, é essencial combinar estratégia, empatia e criatividade. 

Veja a seguir os principais elementos: 

a. Histórias reais e identificáveis 

Sempre que possível, inclua casos (fictícios ou reais, com anonimato) que gerem reflexão. Histórias do dia a dia geram muito mais impacto do que slides com definições técnicas. 

b. Linguagem leve e acessível 

Evite jargões. Prefira uma abordagem conversada, que respeite a inteligência do trabalhador e o convide à reflexão.  

c. Chamadas para ação claras 

Use perguntas como: “Você sabe como denunciar assédio de forma segura?” ou “Que comportamentos você acha que devem ser eliminados?” 

d. Interatividade 

Inclua quizzes, enquetes, vídeos curtos e podcasts. Eles aumentam o engajamento e ajudam a fixar o conteúdo. 

e. Avaliação contínua 

Use indicadores simples, como taxa de visualização, cliques ou respostas para ajustar a estratégia em tempo real. 

Como a lei pode ser cumprida com campanhas digitais 

A Lei 14.457/22 é clara quanto à obrigatoriedade das ações, mas não define o formato. Portanto, empresas podem optar por campanhas digitais desde que cumpram os seguintes requisitos: 

  • Conteúdo educativo para todos os trabalhadores 
  • Registro e comprovação das ações realizadas 
  • Participação ativa da CIPA e do RH 
  • Acesso igualitário aos conteúdos 

Nesse contexto, a digitalização permite ganho de escala, agilidade e redução de custos. Além disso, as plataformas digitais possibilitam monitoramento em tempo real e personalização das campanhas conforme os dados de adesão por setor ou unidade. 

Mudança cultural não acontece em uma semana, mas pode começar nela 

É comum que empresas concentrem esforços de prevenção ao assédio apenas durante a SIPAT. No entanto, é fundamental compreender que a mudança de cultura é um processo contínuo. 

Por isso, a sugestão é que campanhas digitais ocorram com regularidade. Elas podem ser mensais, atreladas a datas temáticas ou integrarem uma jornada de educação corporativa. 

Além disso, é essencial envolver todas as lideranças. Afinal, uma liderança omissa ou incoerente é capaz de neutralizar qualquer esforço institucional. 

Entre os principais ganhos para as empresas que investem em prevenção estão: 

  • Redução do absenteísmo e rotatividade 
  • Clima organizacional mais saudável 
  • Redução de passivos trabalhistas 
  • Fortalecimento da marca empregadora 

Conclusão 

Em resumo, CIPA e assédio são temas que hoje estão diretamente conectados pela legislação e, principalmente, pelas expectativas sociais. A Lei 14.457/22 veio para reforçar a necessidade de ações concretas, e cabe às empresas utilizarem os meios certos para cumpri-la de forma eficiente. 

Portanto, investir em campanhas digitais não é apenas uma opção moderna, é uma estratégia de alto impacto. Desde que feitas com empatia, dados e boa comunicação, essas campanhas podem transformar profundamente a cultura organizacional. 

Se a sua empresa ainda não começou esse movimento, este é o momento ideal. Afinal, respeitar as pessoas e promover um ambiente mais justo é bom para todos: trabalhadores, liderança e sociedade. 

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