Para profissionais especializados na área de segurança do trabalho, os termos técnicos como “risco biomecânico”, “adicional de insalubridade” e “zona de ação frequente” fazem parte do seu dia a dia. No entanto, para a maioria das pessoas em outros setores da empresa, esses termos podem parecer complicados ou até mesmo estranhos. A comunicação eficaz é a espinha dorsal de qualquer organização bem-sucedida, e na área de segurança do trabalho, torna-se ainda mais crucial.
Neste artigo, oferecemos um guia para profissionais de segurança do trabalho sobre como comunicar informações técnicas de maneira mais simples e clara, e entender as siglas, para garantir a compreensão por todos os departamentos da empresa.
Sumário
- 1 A comunicação interdepartamental e os termos técnicos de segurança: por que é tão importante?
- 2 Simplificando 11 termos técnicos de segurança do trabalho
- 2.1 Adicional de Insalubridade
- 2.2 Risco Biomecânico
- 2.3 Fator de Atenuação (FA) – um dos importantes termos técnicos de segurança
- 2.4 Limites de Tolerância (LT)
- 2.5 Leia também:
- 2.6 Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) – importante termo técnico de segurança
- 2.7 Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)
- 2.8 Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)
- 2.9 LOTO (Lockout e Tagout) – importantes termos técnicos de segurança
- 2.10 ZAF (Zona de Ação Frequente)
- 2.11 Insalubridade
- 2.12 Periculosidade – dos mais importantes termos técnicos de segurança
- 3 Viu só como uma linguagem acessível faz toda a diferença?
A comunicação interdepartamental e os termos técnicos de segurança: por que é tão importante?
Em qualquer organização, para que haja uma operação fluida e harmônica, é vital que todos “falem a mesma língua”. Quando se fala em segurança do trabalho, o cenário não é diferente. Uma comunicação clara entre departamentos ajuda a prevenir acidentes e garante que todos estejam cientes de suas responsabilidades.
Além disso, quando todos compreendem a terminologia usada, é mais fácil disseminar informações importantes, otimizar processos e, consequentemente, criar um ambiente de trabalho mais seguro.

Por outro lado, quando as pessoas não entendem a mensagem de um assunto tão importante como a segurança, o risco é enorme. A falta de clareza pode levar a mal-entendidos, ações inadequadas e, em situações extremas, a consequências desastrosas.
Então, agora que entendemos a importância de uma comunicação interdepartamental clara, vamos à parte prática?
Simplificando 11 termos técnicos de segurança do trabalho
Adicional de Insalubridade
O Adicional de Insalubridade é um valor extra pago ao trabalhador que está exposto a agentes nocivos à saúde durante sua jornada de trabalho, seja de forma permanente ou intermitente. Calcula-se esse adicional com base no salário-mínimo do trabalhador e ele varia conforme o grau de insalubridade (mínimo, médio ou máximo), determinado por normas regulamentadoras.
O objetivo desse adicional é compensar o trabalhador pelos riscos inerentes à sua atividade profissional, garantindo-lhe uma remuneração justa e incentivando as empresas a adotarem medidas preventivas para proteger a saúde de seus empregados.
Como comunicar: é um bônus no salário para quem trabalha em locais com riscos à saúde.
Risco Biomecânico
O risco biomecânico está ligado às condições ergonômicas inadequadas, ao levantamento de cargas pesadas, a posturas inadequadas, a movimentos repetitivos e a vibrações. Esses fatores, quando não gerenciados ou corrigidos, podem levar a distúrbios musculoesqueléticos, como tendinites, lombalgias, hérnias de disco e outras lesões.

Por exemplo, um operador de caixa de supermercado que faz movimentos repetitivos e adota uma postura inadequada durante longas horas pode estar exposto a riscos biomecânicos, aumentando sua suscetibilidade a distúrbios como síndrome do túnel do carpo ou problemas lombares.
Como comunicar: é o risco associado aos movimentos e posturas do corpo que podem causar lesões ou problemas de saúde.
Fator de Atenuação (FA) – um dos importantes termos técnicos de segurança
O Fator de Atenuação (FA) mede a eficácia de um dispositivo de proteção, como protetores auriculares, em reduzir a exposição a agentes nocivos, como ruídos, no ambiente de trabalho. Testes e regulamentações específicas determinam esse fator, garantindo que o equipamento ofereça a proteção necessária para a saúde do trabalhador.
Quando o trabalhador utiliza um equipamento de proteção, o Fator de Atenuação indica quanto o risco de exposição é reduzido, garantindo sua segurança e bem-estar. O valor do FA é essencial para avaliar se o equipamento protege adequadamente o trabalhador de exposições acima dos Limites de Tolerância estabelecidos.
Como comunicar: o Fator de Atenuação informa quanto um dispositivo de proteção pode reduzir a exposição de um trabalhador a agentes nocivos.
Limites de Tolerância (LT)
Os Limites de Tolerância definem os valores máximos ou mínimos aos quais as empresas podem expor os trabalhadores, sem que sofram danos à saúde, em relação a agentes físicos, químicos e biológicos presentes nos ambientes de trabalho. Estabelecem-se esses limites com base em estudos científicos e regulamentações trabalhistas, com o objetivo de proteger a saúde e a integridade dos trabalhadores.
Quando as condições de trabalho ultrapassam os limites de tolerância estabelecidos, a empresa deve adotar medidas corretivas ou compensatórias para garantir a segurança e o bem-estar do trabalhador.
Como comunicar: é a quantidade máxima ou mínima de uma substância a que alguém pode ser exposto sem risco.
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Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) – importante termo técnico de segurança
O ASO é um documento oficial emitido pelo médico do trabalho após a realização de exames médicos ocupacionais. Ele certifica a aptidão ou inaptidão do trabalhador para executar determinadas funções em sua atividade laboral, garantindo que sua saúde seja compatível com o tipo de trabalho a ser realizado.
Como comunicar: é um documento que mostra se alguém está fisicamente apto para determinado trabalho.
Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT)
A CAT é um dos termos técnicos de segurança que se trata de um formulário que deve ser preenchido e enviado ao INSS em caso de acidentes ou doenças ocupacionais. Serve para notificar oficialmente ocorrências que resultem em lesão, incapacidade ou morte do trabalhador, garantindo os direitos previdenciários do empregado.
Como comunicar: é um relatório que fazemos sempre que acontece algum acidente no trabalho.
Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT)
São inflamações que atingem principalmente tendões, músculos e articulações, e estão diretamente ligadas às atividades laborais. O trabalho causa ou agrava esses distúrbios, muitas vezes relacionados a movimentos repetitivos, posturas inadequadas e esforço excessivo.

Como comunicar: refere-se a desgastes ou dores no corpo causadas pelo tipo de trabalho que alguém faz.
LOTO (Lockout e Tagout) – importantes termos técnicos de segurança
O LOTO é um procedimento de segurança usado em ambientes industriais para garantir que máquinas e equipamentos sejam desligados e não possam ser acionados novamente durante operações de manutenção ou qualquer intervenção. “Lockout” refere-se ao bloqueio físico do equipamento, enquanto “Tagout” envolve a colocação de etiquetas de aviso para informar sobre o bloqueio.

Como comunicar: são regras para desligar e marcar máquinas durante manutenções, garantindo que ninguém as ligue acidentalmente.
ZAF (Zona de Ação Frequente)
A ZAF é um dos termos técnicos de segurança que significa a área em que um trabalhador executa suas atividades com maior regularidade e sem a necessidade de se estender ou se contorcer excessivamente. No contexto ergonômico, a ZAF é crucial para o design de postos de trabalho, garantindo que as tarefas sejam realizadas de forma confortável e minimizando riscos de lesões.
Como comunicar: é o local onde um funcionário geralmente trabalha ou realiza a maior parte de suas tarefas.
Insalubridade
Insalubridade refere-se à condição de trabalho em que o trabalhador está exposto a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância estabelecidos por normas regulamentadoras. O trabalhador que atua em condições insalubres tem direito ao adicional no salário (primeiro termo), calculado conforme o grau de insalubridade (mínimo, médio ou máximo).
Como comunicar: refere-se a quando alguém trabalha em ambientes que, a longo prazo, podem ser prejudiciais à saúde.
Periculosidade – dos mais importantes termos técnicos de segurança
Já a periculosidade refere-se à condição de trabalho que, devido à natureza ou método de operação, expõe o empregado a riscos acentuados e iminentes, como explosões, inflamabilidade, eletricidade e roubos violentos. Assim como a insalubridade, a periculosidade também garante ao trabalhador um adicional salarial como forma de compensação pelo risco ao qual está exposto.
Como comunicar: é quando o trabalhador está exposto a riscos elevados, como trabalhar em lugares com materiais explosivos.
Viu só como uma linguagem acessível faz toda a diferença?
Para profissionais de segurança do trabalho, adaptar a linguagem dos termos técnicos de segurança para uma forma mais acessível não é apenas uma questão de simplicidade, mas também de eficácia. Ao garantir que todos compreendam os riscos e procedimentos, você fortalece a cultura de segurança em toda a empresa.
Perguntas frequentes sobre Termos Técnicos de Segurança:
Não. A CLT, no Artigo 193, §2º, determina que o trabalhador tem direito a apenas um dos adicionais, devendo optar pelo que lhe for mais favorável. O adicional de insalubridade é calculado sobre o salário mínimo, em percentuais de 10%, 20% ou 40% conforme o grau. O adicional de periculosidade corresponde a 30% sobre o salário base, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. Quando um trabalhador está exposto simultaneamente a condições insalubres e perigosas, cabe ao próprio trabalhador, geralmente com orientação sindical ou jurídica, escolher o adicional mais vantajoso para sua situação específica.
O LOTO (Lockout/Tagout) é amplamente tratado pela NR-12, que regula a segurança no trabalho em máquinas e equipamentos. A norma exige que as empresas estabeleçam procedimentos escritos de bloqueio e etiquetagem para qualquer intervenção em máquinas que possa expor o trabalhador a energias perigosas, incluindo elétrica, hidráulica, pneumática, térmica e gravitacional. A ausência de procedimento LOTO documentado e treinado é uma das não conformidades mais frequentemente identificadas em auditorias de segurança industrial, e está diretamente associada a acidentes graves com amputações e eletrocussões. O procedimento deve ser revisado sempre que houver mudança nos equipamentos ou nos processos de manutenção.
Os Limites de Tolerância (LT) são valores definidos pela legislação brasileira, especificamente na NR-15, que estabelecem as concentrações máximas permissíveis de agentes químicos e físicos no ambiente de trabalho. Os Limites de Exposição Ocupacional (LEO) são referências técnicas internacionais, como os TLVs da ACGIH americana, frequentemente usados como base científica quando a legislação brasileira não cobre determinado agente ou quando os valores brasileiros são considerados desatualizados. Na prática, profissionais de SST frequentemente consultam ambas as referências, pois a legislação brasileira pode ter limites mais permissivos do que os padrões internacionais para alguns agentes, e a adoção dos LEOs mais restritivos é considerada boa prática de saúde preventiva.
A ZAF é a área ao redor do corpo de um trabalhador sentado ou em pé onde ele consegue alcançar e trabalhar com conforto, sem necessidade de torcer o tronco, se inclinar excessivamente ou estirar os braços além do limite natural. Quando objetos, ferramentas ou telas estão fora da ZAF, o trabalhador compensa com posturas inadequadas que, ao longo do tempo, causam lesões. Para um gestor de RH, a forma mais eficaz de apresentar o conceito é conectando-o a dados financeiros: o custo médio de um afastamento por DORT supera 15.000 reais quando somados benefício previdenciário, reposição do trabalhador e perda de produtividade. Investimentos em adequação ergonômica dos postos de trabalho para respeitar a ZAF costumam ter payback inferior a 12 meses quando comparados com esses custos de afastamento.
Sim. Os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho são reconhecidos como doenças ocupacionais pelo INSS e constam na lista de doenças do Decreto 3.048/1999. Quando há nexo causal comprovado entre a doença e as atividades laborais, o trabalhador tem direito ao auxílio-doença acidentário (B91), com estabilidade de 12 meses após o retorno, e pode pleitear indenização por danos materiais e morais na Justiça do Trabalho. Desde 2003, o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) permite que o INSS estabeleça automaticamente o nexo entre DORT e determinadas atividades econômicas, invertendo o ônus da prova para a empresa, que precisará demonstrar que as condições de trabalho não contribuíram para o desenvolvimento da doença.


