Consciência Negra: Como o racismo nos deixa doentes?

Estudos mostram como o racismo afeta a saúde dos negros, sendo responsável pelo desenvolvimento de diversos problemas físicos e mentais.

Você sabia que além da falta de oportunidades, desigualdade econômica e tantos outros problemas sociais, o racismo também pode afetar a saúde das vítimas do preconceito? Diversos estudos já comprovaram que o preconceito racial está conectado ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares em pessoas negras, além de ser uma das principais causas da ocorrência da depressão, da ansiedade e de outros transtornos mentais em pessoas que são vítimas de discriminação. 

Neste artigo, você irá entender melhor como o racismo afeta profundamente a sociedade e nos deixa em um grave estado de adoecimento físico e mental. Além disso, você também terá acesso a dicas importantes para combater o racismo no dia a dia – afinal, a luta contra o preconceito racial deve ser promovida o ano inteiro, e não apenas no dia da Consciência Negra! 

Impactos do racismo na sociedade

Em novembro, é comemorado no Brasil o mês da Consciência Negra. Em muitos casos, essa ocasião é utilizada para promover palestras de conscientização sobre o racismo, criar espaços para discussão e celebrar a cultura desse grupo social tão importante – afinal, a população negra representa 54% do país. 

Mas, para além do dia 20 de novembro, você já parou para pensar no quanto o racismo afeta o dia a dia da sociedade?  

Compreender os impactos do racismo no país é um assunto antigo, mas que continua urgente e atual em todos os setores da sociedade. Entretanto, o reconhecimento do racismo como um problema social não basta, pois identificar a problemática pouco parece produzir efeitos práticos no mundo real. A grande maioria da população é capaz de reconhecer o preconceito em diversos contextos, entretanto são poucos os que conseguem assumir a responsabilidade de tais atos.  Em resumo, é como se o racismo produzisse vítimas sem a existência de autores.  

Por isso, é fundamental que todos entendam que qualquer tipo de relacionamento que formamos com pessoas diferentes impacta não apenas a nossa sobrevivência, mas também nossa saúde e bem-estar mental. Ao promover relacionamentos saudáveis, que têm como base o respeito, a compaixão e a empatia com familiares, amigos, colegas de trabalho e, sobretudo, pessoas que não fazem parte diretamente do seu convívio, é possível causar impactos positivos em nossa saúde.  

Entretanto, esse é um cenário que passa longe de ser realidade para diferentes grupos sociais, conhecidos no campo da ciência social como minorias – e a população negra é uma delas. Diariamente, milhões de vidas negras lidam com a marginalização, a falta de oportunidades e acesso, e com a opressão devido a uma hierarquia racial socialmente construída ao decorrer dos séculos. O racismo segrega, divide e machuca pessoas apenas pela cor da pele. E é essa exclusão que adoece e afeta diretamente a saúde mental de pessoas negras! 

Racismo & Saúde mental 

Mas então, quais são as consequências do racismo para a saúde mental de pessoas negras? 

A exclusão na escola, no ambiente de trabalho e nos espaços públicos – como na política ou na mídia – possibilita o surgimento do estresse diário. Conforme estudo divulgado pela Associação Americana de Psicologia, foi concluído que o estresse relacionado à raça é um fator de risco significativamente mais importante do que outros eventos estressantes da vida para o sofrimento psíquico. O estresse também afeta diretamente o humor desse grupo social, além de propiciar o desenvolvimento de baixa autoestima em pessoas negras. 

Essa questão também foi abordada por uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP), que chegou à conclusão de que o racismo contribui para que muitas pessoas negras se sintam insuficientes, envergonhadas e culpadas graças a discriminação promovida por uma sociedade que as violenta constantemente.  

A violência, seja esta física ou psicológica, afeta os aspectos mentais de jovens negros, o que torna essas pessoas mais propensas a desenvolver dificuldades emocionais e comportamentais, além de aumentar os riscos de doenças como depressão, de obterem piores resultados acadêmicos e de se envolverem com a violência no futuro. 

E para agravar esse cenário, a população negra ainda enfrenta uma grande barreira: a dificuldade para acessar cuidados básicos, que são insuficientes e não valorizam a saúde mental – que, inclusive, não está incluída no plano nacional de saúde da população negra. Ao ter atendimento negligenciado, é comum pessoas negras entenderem as questões raciais de uma forma mais individualizada, que as fazem pensar que elas são, na verdade, o problema. 

Como combater o racismo na sociedade 

E o que podemos fazer para combater o racismo na sociedade?  

Primeiro de tudo, é importante que a população negra não carregue esse fardo sozinha. É fundamental que negros e as demais etnias atuem juntos nessa luta antirracista – obviamente, com cada um compreendendo o seu papel nessa história. O racismo é um problema social, não só dos negros! 

  Por isso, brancos e não-negros não devem deixar de estudar sobre o racismo. É fundamental ouvir com atenção o que pessoas negras falam sobre a discriminação de mente aberta, sem fazer qualquer tipo de julgamento e, assim, sair do seu lugar de privilégio.  

Ao compreender as implicações do racismo na sociedade, é importante que você não tenha medo ou vergonha de pontuar ações, falas e gestos de cunho racistas em seu círculo social. Afinal, pessoas negras não podem ser as únicas responsáveis pelo letramento racial de pessoas brancas. É um dever de toda a sociedade se comprometer no combate ao racismo!  

Então não deixe de questionar seus colegas de trabalho, amigos e familiares quando escutar algum comentário racista. Tenha um pouco de paciência e tente explicar da melhor maneira possível porque aquela situação está errada, como ela pode contribuir para o constrangimento e sofrimento de uma pessoa negra. Não deixe o racismo passar batido, mesmo que venha de pessoas próximas a você! 

E esteja preparado caso você seja a pessoa que cometeu, mesmo que inconscientemente, um ato discriminatório. Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade em que o racismo está enraizado em nossa cultura, e todos nós estamos sujeitos a cometer algum deslize em determinado momento. Por isso, ao ter um comportamento de cunho racista chamado a atenção, mantenha a calma e escute o que a pessoa que fez essa observação tem a te dizer. Caso ela seja uma pessoa negra, escute com mais atenção ainda, tente aplicar os conselhos que ela te oferecer e se policie para não cometer o mesmo erro novamente!  

Já essa dica é voltada para você, gestor, diretor ou alguém ativo no meio corporativo. O racismo institucional ainda é uma realidade no Brasil e a prova disso é que, ainda hoje, a renda mensal dos trabalhadores negros equivale a 55,8% da dos brancos, segundo dados mais recentes do IBGE. 

O racismo institucional é um tipo de discriminação que pode ocorrer tanto em instituições públicas quanto privadas e que, de forma direta ou indireta, promove a exclusão ou o preconceito racial. Você já parou para pensar em como é comum em empresas, por exemplo, haver um número muito menor de negros em cargos de gestão? Esse é um forte indício de racismo institucional. 

Por isso, não deixe de promover a inclusão de pessoas negras em sua empresa. Essa simples ação implica em dar oportunidades, criar programas de inclusão, contratar e consumir produtos e serviços de pessoas negras. Ao conviver com pessoas diferentes, conseguimos entender que cada um é de um jeito – o que torna possível colocar em prática na instituição valores importantes como o respeito, a igualdade e a empatia. 

Outra forma eficiente de lutar contra o racismo institucional é promovendo a conscientização. Mas você sabe como promover diálogos capazes de sensibilizar e educar os trabalhadores na instituição? Fique tranquilo, a Weex está aqui para te ajudar! Clique aqui e conheça nossas soluções para promover uma campanha corporativa eficiente sobre diversidade e inclusão na sua empresa. 

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